
O sol cansado de um dia intenso, vai descansar calmamente sobre a linha do horizonte. Exausto na sua batalha quotidiana, cede lugar à noite, reino mágico e obscuro, onde a lua, rainha, o substituirá magistralmente. O céu enche-se de laranja avermelhado, como se ali tivesse tido lugar uma batalha sangrenta, a batalha do dia a dia, em que o sobrevivente, ferido, se retira para voltar no outro dia, recuperado para rasgar as trevas e começar de novo. Encontro-me num lugar previlegiado, a contemplar estas mutações que, de tão frequentes, muitas vezes acontecem sem que nos apercebamos da sua beleza, como quase tudo que nos rodeia.
Há tanta coisa bela nos fenômenos naturais, que acontecem a cada segundo e nem olhamos para eles, porque de tão frequentes, se tornam "invisíveis". Não sabemos o que perdemos por não contemplar as pequenas coisas de que o nosso mundo é feito. A beleza está nas coisas pequenas e simples, como a gota de orvalho que pende da folha de uma flor, que na sua queda ao abismo, converte a luz do sol, num arco-íris. A beleza de hoje está neste fantástico pôr-do-sol, que me enche os olhos de saudades, que me acarinha e conforta a alma, por saber que amanhã, aquele sol estará de novo de volta para me aquecer o corpo e iluminar o meu espirito.

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